A
compreensão da escola como uma fábrica de resultados, buscando
índices e aprovações ignora todo componente humano presente ali.
Em essência, a escola não serve como espaço de treinamento, mas
sim como espaço de aprendizado e, como tal, precisa compreender a
diversidade que envolve todo processo de produção do conhecimento,
compreendendo os estudantes a partir de sua posição enquanto
sujeitos e, dessa forma, compreendendo que nenhuma escola é igual a
outra, assim como nenhum sujeito é igual a outro sujeito.
A
compreensão da particularidade da escola é um dos grandes desafios
a se pensar quando queremos de fato refletir sobre o papel da escola
e de sua educação. Afinal, é a mesma coisa uma escola em um centro
urbano e em uma zona rural? E uma escola em uma área favelizada e
uma área enriquecida? Essa percepção joga areia nos planos e
metas que buscam tratar todas as escolas como a mesma coisa, pois se
cada escola tem suas particularidades não é pela comparação
externa que se pode julgá-las.
Quem
terá a autoridade para dizer como deve ou não funcionar uma escola
são os seus integrantes. Nenhuma avaliação ou agente externo pode
ser o “determinador” que dirá o melhor ou pior para uma escola.
Sem a sua vivência e sem ouvir os que as integram qualquer projeto
que queira dizer como “deve funcionar” a escola revela em si uma
imposição ditatorial e antipedagógica.
A
melhor forma de se compreender e avaliar uma escola é a partir de
seu projeto político-pedagógico (o PPP), elemento hoje reduzido a
um compromisso burocrático, mas que é elemento central em uma
escola integrada ao seu entorno. Tentar reduzir um compromisso de
construção de sociedade a uma prova de múltipla escolha é limitar
o horizonte de possibilidade de transformação. E é o PPP que seria
então o responsável por definir a escola e seu papel. Afinal, quais
serão os projetos prioritários em determinada escola? O que desejam
seus estudantes e profissionais de educação? Como tornar os
responsáveis parte atuantes do cotidiano escolar?
A
crença em respostas únicas ou em manuais prontos para “como fazer
(escolha qualquer coisa)” dificulta a compreensão de que, em
tratativas coletivas, como é o processo de aprendizagem, apenas o
diálogo e a troca entre os envolvidos, com a clareza dos objetivos a
serem atingidos é que pode formular um ambiente real de criação e
transformação.
Tendo
em si o lugar do conhecimento consolidado pela humanidade, as
bandeiras da escola devem pregar pelas artes, pelos esportes, pelas
ciências e pela democracia. É inegável que temos dificuldades de
fazer qualquer dessas dimensões se manifestar na escola com
qualidade. Isso passa muitas vezes pela dificuldade de se estabelecer
canais de comunicação dentro do ambiente escolar. Num processo em
que o contato é reduzido à sala de aula e os profissionais se veem
de passagem, sem tempo efetivo para pensar processos e projetos de
forma coletiva.
Uma
escola que não se coloca nem no diálogo entre profissionais de
educação e nem entre estudantes veicula exatamente que tipo de
valores? Para que(m) serve essa escola que está posta? A
discordância do projeto de escola vigente não pode passar pela
prática individual. Uma escola se constrói como comunidade e, mudar
o que está posto exige, principalmente, mudar a forma como se
compreende a relação com o outro, seja ele estudante ou
profissional da educação, entendendo todos como sujeitos plenos e
em permanente processo de construção de si.
É
importante se construir a escola a partir dos sujeitos que lá estão.
Para
uma escola que deixe de ser um serviço, e se torne um "servivo".
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