terça-feira, 18 de agosto de 2015

Para que(m) serve a escola?

A compreensão da escola como uma fábrica de resultados, buscando índices e aprovações ignora todo componente humano presente ali. Em essência, a escola não serve como espaço de treinamento, mas sim como espaço de aprendizado e, como tal, precisa compreender a diversidade que envolve todo processo de produção do conhecimento, compreendendo os estudantes a partir de sua posição enquanto sujeitos e, dessa forma, compreendendo que nenhuma escola é igual a outra, assim como nenhum sujeito é igual a outro sujeito.
A compreensão da particularidade da escola é um dos grandes desafios a se pensar quando queremos de fato refletir sobre o papel da escola e de sua educação. Afinal, é a mesma coisa uma escola em um centro urbano e em uma zona rural? E uma escola em uma área favelizada e uma área enriquecida? Essa percepção joga areia nos planos e metas que buscam tratar todas as escolas como a mesma coisa, pois se cada escola tem suas particularidades não é pela comparação externa que se pode julgá-las.

Quem terá a autoridade para dizer como deve ou não funcionar uma escola são os seus integrantes. Nenhuma avaliação ou agente externo pode ser o “determinador” que dirá o melhor ou pior para uma escola. Sem a sua vivência e sem ouvir os que as integram qualquer projeto que queira dizer como “deve funcionar” a escola revela em si uma imposição ditatorial e antipedagógica.
A melhor forma de se compreender e avaliar uma escola é a partir de seu projeto político-pedagógico (o PPP), elemento hoje reduzido a um compromisso burocrático, mas que é elemento central em uma escola integrada ao seu entorno. Tentar reduzir um compromisso de construção de sociedade a uma prova de múltipla escolha é limitar o horizonte de possibilidade de transformação. E é o PPP que seria então o responsável por definir a escola e seu papel. Afinal, quais serão os projetos prioritários em determinada escola? O que desejam seus estudantes e profissionais de educação? Como tornar os responsáveis parte atuantes do cotidiano escolar?

A crença em respostas únicas ou em manuais prontos para “como fazer (escolha qualquer coisa)” dificulta a compreensão de que, em tratativas coletivas, como é o processo de aprendizagem, apenas o diálogo e a troca entre os envolvidos, com a clareza dos objetivos a serem atingidos é que pode formular um ambiente real de criação e transformação.

Tendo em si o lugar do conhecimento consolidado pela humanidade, as bandeiras da escola devem pregar pelas artes, pelos esportes, pelas ciências e pela democracia. É inegável que temos dificuldades de fazer qualquer dessas dimensões se manifestar na escola com qualidade. Isso passa muitas vezes pela dificuldade de se estabelecer canais de comunicação dentro do ambiente escolar. Num processo em que o contato é reduzido à sala de aula e os profissionais se veem de passagem, sem tempo efetivo para pensar processos e projetos de forma coletiva.

Uma escola que não se coloca nem no diálogo entre profissionais de educação e nem entre estudantes veicula exatamente que tipo de valores? Para que(m) serve essa escola que está posta? A discordância do projeto de escola vigente não pode passar pela prática individual. Uma escola se constrói como comunidade e, mudar o que está posto exige, principalmente, mudar a forma como se compreende a relação com o outro, seja ele estudante ou profissional da educação, entendendo todos como sujeitos plenos e em permanente processo de construção de si.

É importante se construir a escola a partir dos sujeitos que lá estão.

Para uma escola que deixe de ser um serviço, e se torne um "servivo".

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